APRESENTAÇÃO
A construção é uma das actividades humanas com
maior impacto, quer sobre o património natural, quer sobre o património
cultural. Em relação ao primeiro, o impacto da construção surge associado às
novas urbanizações e infra-estruturas e faz-se sentir em diversas frentes, desde
a ocupação irreversível de solo virgem, com a consequente perda de
biodiversidade e degradação da paisagem, até à produção, transporte e deposição
(na maior parte, sem controlo) de um grande volume de resíduos. A construção
envolve, também, o consumo de enormes quantidades de matérias-primas e de
energia, que, no caso de Portugal é proveniente, sobretudo, de combustíveis
fósseis. Em relação ao segundo, o património cultural, o impacto da construção
faz-se sentir em particular sobre a cidade antiga, os centros históricos e o
próprio ambiente construído. De facto, a demolição e substituição dos edifícios
antigos dos centros urbanos contribui para a sua progressiva descaracterização e
desvalorização. É a “alma” desses centros que se perde e, com ela, um conjunto
de referências identitárias essenciais.
O presente encontro, numa iniciativa conjunta do GECoRPA - Grémio das Empresas
de Conservação e Restauro do Património Arquitectónico, da QUERCUS - Associação
Nacional de Conservação da Natureza e do ICOMOS Portugal - Comissão Nacional
Portuguesa do Conselho Internacional dos Monumentos e dos Sítios (ICOMOS), tem
como objectivos:
I. Evidenciar os múltiplos impactos da construção, das opções estratégicas com
ela relacionadas e dos sectores de actividade a montante e a jusante, sobre o
património natural e o património cultural, em particular na sua vertente
património construído a proteger;
II. Demonstrar que as estratégias tendentes a conservar o património natural e a
reabilitar e valorizar o património construído contribuem, simultaneamente, para
a sustentabilidade do sector da construção, em particular, e para o
desenvolvimento sustentável do País, em geral.